quinta-feira, 12 de julho de 2012

*desabafo*


Falar sobre mim e sobre o que sinto sempre me foi difícil. Guardar tudo, manter uma expressão impávida e serena mesmo quando algo me apunhala o coração e me faz doer a alma, preferir manter a boca fechada quando o assunto sou eu... Tanto que não me custa levar uma noite inteirinha a chorar, mas se derramar uma lágrima em frente a outras pessoas é o suficiente para me ficar a sentir uma estúpida mariquinhas, que nem é capaz de se controlar. E isto é acentuado ao ponto de um dos meus melhores amigos se surpreender quando eu desabafo que estou com saudades do meu namorado, por exemplo. Porque nunca acontecia... Eu simplesmente não me sinto à vontade para falar sobre o que me vai na alma. Acho que começou para tentar proteger-me... E proteger também os outros. A verdade é que se ninguém souber quando te vais abaixo, é muito mais difícil conseguir atingir-te intencionalmente. Além disso, sempre houve muitos sismos emocionais à minha volta, e teria que haver alguém para sustentar tudo. Não sou a pessoa mais forte do mundo, mas é-me fácil suportar as oscilações dos outros. Sei lá... É das poucas coisas que sou boa a fazer e não preciso de recompensas para me sentir bem. O problema de tudo isto é que há momentos em que me apetece disparatar e gritar e explodir e acabar a receber colinho (preciso mais do que aquilo que gostava de precisar)... Mas nem sempre sei como o fazer. Não sei como explicar que não está tudo bem e a razão. Numa das últimas vezes que tentei desabafar mais a sério (num dia em que rebentei e acabei a chorar num local público) disseram-me algo do género "Tens um namorado que te adora, tens amigos fantásticos, as coisas não te estão a correr mal de todo, e blá blá blá" e eu fiquei na mesma, calei-me e pronto... Porque, caramba, mesmo quando estou mal, eu sei que tenho imensas coisas boas e que não me devia estar a queixar. Os problemas até podem ser mínimos se pensar neles quando já tiverem passado, eu até posso não saber o que dizer, mas a verdade é que eu também sinto. Eu também tenho direito aos meus momentos de fraqueza em que sinto que não valho nada. E, sinceramente, acho que não preciso que me falem das coisas boas que tenho... É a elas que me agarro, sim, mas acreditem que eu as valorizo imenso. Eu até me contento com pouco... Quando desabafo, não é com o objectivo de me dizerem mil coisas para me consolarem. Para mim, um pouco de silêncio de reconhecimento diz tudo... E de compreensão. Muita compreensão.

5 comentários:

Love & Things disse...

Nunca pensei que alguem pode-se descrever tão bem o que eu também sinto :) beijinhos

Bianca Eiró disse...

i., revi-me imenso neste texto! Deixo aqui um beijinho repleto da maior força... :)

Ju disse...

Eu sou o oposto de ti. Exteriorizo bem o que me vai cá dentro, mas não sei se é necessariamente algo bom. Acho que o faço em demasia e devia guardar mais para mim! Quanto à atitude dos teus amigos, é o que toda a gente faz. Lembram aquilo que de bom temos para tentarmos esquecer o que vai menos bem. Às vezes era mesmo preferível o silêncio e um abraço. E a verdade é que esporadicamente também aparecem!
Beijinho e força*

Hermione disse...

oh i... acho que isso, apesar de serem traços da tua personalidade, acabam por se ir moldando. p.e, eu sempre fui muito assim. muito eu, muito senhora de mim, muito 'nada me afeta' (quando na verdade sei que sim, que afeta, mas que não quero mostrar). ainda sou um bocadinho assim, mas há uma pessoa com quem sou o mais transparente possível, com quem desabafo tudo o que tenho a desabafar, até aquilo que parece mais estúpido, com quem grito e esbracejo e depois peço colinho que mesma também não querendo ser dependente disso sei que sim, que sou. é o R. ele é mesmo o meu porto de abrigo, o meu melhor amigo, o meu tudo. também me sinto muito muito bem com a minha mãe, mas comprando com o R., é diferente...
mesmo que muitas vezes nem nos compreendamos a nós mesmas (como é que os outros há dem conseguir se nem nós o conseguimos?), o que interessa é saber enfrentar, saber levar e saber viver. no dia seguinte, as 'birras' passam :) beijinho e força (desculpa o test)

м♥ disse...

eu sou daquelas que rebenta praticamente em qualquer lado, se assim for "preciso". Não tenho vergonha de chorar à frente das pessoas, não me acho menos pessoa por isso, ou mais fraca. Claro que não ando por aí a chorar pelos cantos, claro que me controlo, mas há situações em que é quase impossível e aí rebento. Todos nós choramos, ficamos triste e frustrados, todos temos momentos menos bons e fraquezas. e isso é normal. não há que ter vergonha ou sentirmo-nos estúpidos por isso.